Relatório PIBIC Islane França 2014
Islane - Relatório final PIBIC.pdf
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CNPq
UFAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
COORDENAÇÃO DE PESQUISA
PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA –
PIBIC CNPq/UFAL/FAPEAL
RELATÓRIO FINAL
(2013– 2014)
TÍTULO DO PROJETO DE PESQUISA:
ARTICULAÇÃO ENTRE GÊNEROS, SUPORTES E MODALIDADES NO DISCURSO
DA MÍDIA E DO ENSINO E APRENDIZAGEM
TÍTULO DO PLANO DE TRABALHO INDIVIDUAL E DIFERENCIADO:
A INFLUÊNCIA DA LINGUAGEM DA INTERNET NA PRODUÇÃO ESCRITA DO
ALUNO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
NOME DO ORIENTADOR: RITA MARIA DINIZ ZOZZOLI
TELEFONE: 9909 - 2109
e-Mail: ritazoz@uol.com.br
NOME DO BOLSISTA/COLABORADOR: ISLANE RAFAELLE RODRIGUES
FRANÇA
TELEFONE: 8833-5469 e-Mail: islanefranca@hotmail.com
BOLSISTA CNPQ
X
BOLSISTA UFAL
BOLSISTA FAPEAL
COLABORADOR
*NOME DA GRANDE ÁREA DO CONHECIMENTO (CNPq): Linguística
*NOME DA SUB-ÁREA DO CONHECIMENTO (CNPq) : Linguística Aplicada
*Consultar site do CNPq
Projeto Financiado:
SIM
NÃO
X
Maceió - AL, 13 de agosto de 2014
MODELO RELATÓRIO FINALPIBIC CNPq/UFAL/FAPEAL
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RESUMO
Esta pesquisa individual fez parte de uma pesquisa maior organizada pela Professora
Doutora Rita Maria Diniz Zozzoli, intitulada “Articulação entre gêneros, suportes e
modalidades no discurso da mídia e do ensino e aprendizagem”. É sabido que nos últimos
tempos as tecnologias comunicacionais, de modo particular a Internet, vem se
desenvolvendo e os jovens estão tendo cada vez mais facilidade de acesso, principalmente
às redes sociais, visto que essa os atrai por proporcionar interação com pessoas de qualquer
parte do mundo em tempo real. Compreendendo- se que esse tipo de comunicação exige
rapidez e dinamismo ao escrever, para que o internauta compreenda e se faça compreender,
este trabalho aponta para a questão de como os jovens lidam com as diferenças entre o
internetês x linguagem padrão na sala de aula. Assim, esta pesquisa pretendeu identificar se
há marcas da linguagem da Internet em produções escritas de alunos da 2ª série (ensino
médio), que estão na faixa etária de 15 a 18 anos. Como base teórica foram utilizados
autores como Marcuschi (2005) e Xavier (2005) no que se refere a conceitos de escrita
virtual e redes sociais e ZOZZOLI (no prelo) como base para reflexões acerca do ensino de
gêneros em Língua Portuguesa. No que toca à metodologia, seguindo a perspectiva da
pesquisa etnográfica, neste trabalho, os dados foram coletados a partir de instrumentos
como notas de campo, para observações em aulas de redação e a análise das próprias
produções escritas dos alunos. Além disso, foi feita uma entrevista com a professora e com
dos voluntários a fim de promover uma triangulação na coleta dos dados. A partir das
análises, percebeu-se que de fato há uma influência da linguagem da Internet na escrita
padrão dos alunos, porém uma boa parte parece distinguir os contextos de uso e não deixam
o “internetês” influir na norma padrão de escrita no âmbito de sala de aula.
Palavras-chave: Internet; internetês; produção escrita.
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INTRODUÇÃO
Os últimos anos estão sendo marcados pelo grande desenvolvimento tecnológico e
não é a toa que o final do século XX ficou caracterizado pela aceleração do processo de
globalização. A Internet, por exemplo, faz parte desse processo.
A rede mundial de computadores, ou Internet, surgiu em plena Guerra Fria.
Criada com objetivos militares, seria uma das formas das forças armadas norteamericanas de manter as comunicações em caso de ataques inimigos que
destruíssem os meios convencionais de telecomunicações. Nas décadas de 1970 e
1980, além de ser utilizada para fins militares, a Internet também foi um
importante meio de comunicação acadêmico. Estudantes e professores
universitários, principalmente dos EUA, trocavam idéias, mensagens e
descobertas pelas linhas da rede mundial. (HISTÓRIA DA INTERNET, 2014)
A rede começou a ganhar seu espaço entre a população em geral em 1990 e é
indiscutível que suas contribuições atraíram e atraem adeptos, de modo particular os jovens,
visto que o entretenimento, a rápida comunicação com pessoas de qualquer parte do mundo
e a notícia podem ser encontradas em um só lugar.
Pode-se dizer que parte do sucesso da nova tecnologia deve-se ao fato de reunir
num só meio várias formas de expressão, tais como, texto, som e imagem, o que
lhe dá maleabilidade para incorporação simultânea de múltiplas semioses,
interferindo na natureza dos recursos linguísticos. (MARCUSCHI, 2005, p. 14)
Com isso, levando em consideração o crescente número de acesso dos adolescentes
ao mundo virtual, de modo específico às redes sociais que se popularizaram em 2006, e
sabendo que esse meio de interação exige rapidez e dinamismo ao escrever, para que o
internauta compreenda e se faça compreender, é válido que se analise como os jovens lidam
com as diferenças entre internetês1 x linguagem padrão2 na sala de aula.
1
Com relação à nomenclatura, ela também pode ser tratada como netspeak ou grafolinguística. Vale ressaltar,
que, no que diz respeito ao significado, estas diferem da nomenclatura “linguagem virtual”, visto que essa
última não envolve apenas o contexto de internet, mas sim, toda e qualquer forma de comunicação que se dê
por meio eletrônico.
2
De acordo com Silva (2005), é a maneira de falar e escrever que é considerada correta por uma dada
comunidade. Historicamente, é uma modalidade linguística que, servindo para controlar a variação dialetal
inerente aos sistemas linguísticos, se tornou um meio de comunicação unificado nos ‘media’ e no ensino a
estrangeiros.
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A proliferação da Internet no mundo tem mudado - e muito - os costumes da
população, inclusive as formas e recursos utilizados para nos comunicarmos.
Atualmente, as formas de ler e escrever já não são mais as mesmas. É necessário
atentarmos não só para as ferramentas tecnológicas que surgem a cada instante,
mas também para as influências que as mesmas têm apresentado com seu
surgimento.
(CORREIO DO POVO, 2005 apud RIBAS et al.)
No que diz respeito à produção escrita formal utilizada pela escola, é sabido que
esta exige o conhecimento da norma padrão da língua, enquanto que, segundo Xavier
(2014), “nas comunidades virtuais as pessoas estão criando, compartilhando e aceitando
novas formas de utilizar a língua”. Por isso é necessário que se observe se, em contexto de
ensino-aprendizagem, o professor, como educador, observa e chama a atenção do aluno
para essas questões, sem ser preconceituoso em relação aos usos característicos da Internet,
pois, de acordo com Xavier (2014), “nos dias de hoje é comum vermos um discurso
tecnófobo por parte de alguns professores de língua portuguesa ao afirmarem que a
linguagem da Internet tem prejudicado a aprendizagem da escrita correta das palavras do
Português”. Ainda de acordo com o autor, os professores dizem que sintomaticamente
‘vícios típicos da internet’ já estão invadindo as redações e trabalhos escolares. Pois bem,
os professores falam, observam, mas será que esse tema tem sido pauta de discussão em
sala de aula?
Além disso, cabe a nós, também, observar se os alunos, como internautas, atentam
para a noção de que cada variedade de língua possui seus contextos de uso. Afinal, como
afirmam Marcuschi e Xavier (2005), quando os equipamentos informáticos e a novas
tecnologias de comunicação começaram a fazer parte de forma mais intensa na vida das
pessoas e do cotidiano das instituições, tornaram-se comuns as inúmeras modificações e
possibilidades de utilização da língua proporcionadas por esse recurso. Logo, é relevante
analisar se essas modificações se restringem apenas ao contexto da Internet, ou se elas estão
ocupando de fato o contexto de sala de aula, como têm afirmado alguns professores.
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OBJETIVOS
GERAIS:Analisar o uso do internetês na sala de aula de língua portuguesa na produção
escrita dos alunos de 2º ano do ensino médio de uma escola pública.
ESPECÍFICOS:
1- Identificar e analisar as ocorrências de internetês nas produções escritas dos alunos;
2- Observar o trabalho com o internetês (caso ocorra) efetuado pelo professor nas
produções escritas dos alunos;
3- Verificar a contribuição da discussão sobre o internetês (caso ocorra) para a
qualidade de novas produções escritas;
4- Verificar como se apresentam as novas produções, caso não haja discussão sobre o
uso do Internetês.
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METODOLOGIA
Nesta investigação segue-se a perspectiva da pesquisa qualitativa de cunho
etnográfico, que para André (2004 apud OLIVEIRA e GOMES, 2005) tem como
características:
a) Uso de técnicas (associadas à observação participante, a entrevista
intensiva, análises de documentos que são características próprias das
pesquisas qualitativas), b) pesquisador como instrumento principal na coleta
e na análise dos dados, c) ênfase no processo e não nos resultados, d)
preocupação com o significado atribuído pelos sujeitos às suas ações, e)
envolve um trabalho de campo e finalmente outras características
importantes que são a descrição e a indução.
Este estudo tem como objetivo coletar o máximo de informações e filtrá-las com a
finalidade de responder a perguntas de pesquisa. Neste trabalho, foram utilizadas como
instrumentos: as notas de campo, as próprias produções escritas dos alunos, e foi feita uma
entrevista com a professora e outra com os voluntários a fim de promover uma triangulação
na coleta dos dados.
Em um período de 4 meses, para levantar as informações, foram observadas aulas
de redação em uma escola pública que está situada em Maceió/AL. A turma escolhida foi
a da 2ª série (ensino médio), a qual é composta por 44 alunos que estão na faixa etária de 15
a 18 anos. A professora é licenciada em Letras com habilitação em língua portuguesa,
leciona em duas escolas, a qual é responsável por 8 turmas no período matutino, 3 no
período vespertino e 3 no período noturno.
Por fim, para nortear nossos estudos levantamos algumas questões, tais quais:
1- Os alunos costumam aplicar o internetês em suas produções escritas?
2- O professor costuma discutir o uso da linguagem da Internet na produção escrita dos
alunos? Se sim, de que maneira ocorre essa discussão?
3- Como os alunos participam dessa discussão (caso ocorra)?
4- Os alunos aplicam os novos conhecimentos, oriundos da discussão, a uma nova
produção escrita? De que forma?
5- Caso não ocorra discussão, como se apresentam as produções escritas no desenrolar
do processo de ensino e aprendizagem?
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
No período de observação foram solicitadas apenas 2 produções, sendo 1
dissertativa/argumentativa, que deveria ser feita individualmente com o tema: Deve ou não
existir uma lei que proíba as pessoas de fumar em lugares públicos, e outra, mais informal e
não menos importante, de tema livre que seria produzida coletivamente e em forma de
dinâmica, de acordo com a professora.
Para visualizar mais claramente se a Internet influencia ou não na produção textual
dos alunos, foram estabelecidos alguns elementos de discussão, constituídos pelas possíveis
marcas linguístico-discursivas, já encontradas em produções da Internet, tais quais:
abreviação de palavras; palavras escritas em caixa alta; ausência de acentuação; expressões
em inglês; onomatopeias e presença de pontuações mais frequentes da Internet como:
exclamações, reticências e interrogações.
12 alunos(as) entregaram a produção individual sobre o primeiro tema e destas 12,
nenhuma apresentou marcas do internetês. Vale ressaltar que apesar dos textos não terem
utilizado marcas do internetês, as inadequações de grafia, a falta de concordância, coerência
e pontuação foram constantes em todas as redações. Durante as observações foi possível
notar que as correções se davam de forma superficial. Pelo desenrolar das aulas, foi notório
que a intenção da professora ao solicitar o texto individual foi, apenas, para perceber se os
alunos sabiam utilizar os elementos conectores em uma redação, assunto que havia sido
trabalhado em sala. Ela pediu que eles destacassem nas próprias produções os conectores
utilizados e, na hora da correção, ela atentou somente para esse ponto e não deu o feedback,
ou seja, nenhuma das múltiplas inadequações das produções foi objeto de discussão, fato
que permite interpretar que o “conteúdo” de ensino já preestabelecido – os conectores – era
o objetivo da atividade e não as dificuldades que os alunos tinham a escrever. Essa prática
privilegia “conteúdos” estanques, desvinculados de possíveis práticas reais da escrita.
Com isso, podemos constatar que essa postura acaba prejudicando, em outros
aspectos, na elaboração dos futuros textos dos alunos, até porque, como afirma TIBA
(2006), “o aluno não consegue aprender aquilo que não entende”. Ou seja, as inadequações
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encontradas nas produções precisam ser discutidas e trabalhadas para que o aluno
compreenda suas dificuldades.
Na produção de tema livre, 28 alunos participaram, e dessas 28 produções, 26
apresentaram alguma marca do internetês como poderemos perceber nos trechos abaixo:
“Somos guerreiros porque a gente tenta até o fim e sempre consiguimos o que
queremos. SOMOS BRASILEIROS.”
Nesse período, além da inadequação de grafia, podemos observar a presença de
palavras escritas com letras maiúsculas que é uma forma comumente utilizada nos
ciberespaços com o objetivo de destacar uma ideia.
“E a completa felicidade vem com a comunhão com DEUS!!!”
Nesse exemplo, além da palavra escrita com letra maiúscula, ainda temos o uso
reiterado das exclamações, sinal de pontuação muito comum, principalmente nas redes
sociais, que reforça ainda mais a ideia de destaque.
“UH! BRASILEIROS! -.-”
Nesse caso, além das palavras maiúsculas e das exclamações, também temos a presença
de um recurso que se tornou popular entre os internautas, os emoticons.
Sobre esses últimos, observa-se que, em um diálogo face a face, as expressões faciais e
corporais contribuem para que haja compreensão entre os interlocutores. Como a
comunicação escrita/virtual, dos bate-papos, por exemplo, não nos permite ver as
expressões, os emoticons vêm para transmitir o estado psicológico e emotivo, de quem os
emprega tornando, assim, a conversa mais clara.
“Se vc curti a vida sem pensar no Amanha vc vai se ferar porque o Amanha e o seu
futuro!!!”
Nesse período, podemos ver, além das exclamações, as abreviações, inadequações de
grafia e ausência de acentuação. Isso é recorrente no mundo virtual, principalmente nas
salas de bate-papo, que exigem um pouco mais de agilidade na hora de escrever, para que a
comunicação se dê em tempo real.
“#Fazer valer a pena! Faça + e fale - !”
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A substituição de palavras por ícones, o uso do + e do –, nesse caso, também é
característica do internetês, afinal, essa seria uma forma de abreviar. Além disso, nessa
situação ainda temos a presença da Hashtag, que se popularizou nas redes sociais.“O
hashtag é uma palavra-chave precedida pelo símbolo #, que as pessoas incluem em suas
mensagens. Essencialmente, ela faz com que o conteúdo do seu post seja acessível a todas
as pessoas com interesses semelhantes.” (O QUE É UMA HASHTAG, 2014).
Todos esses exemplos podem ser justificados pela própria situação de produção: pelo
fato da atividade pressupor informalidade, brincadeira e até mesmo pela professora não ter
exigido explicitamente uso padrão da língua. Porém, a partir disso, já se pode perceber
como as marcas linguístico-discursivas oriundas da Internet se tornam cada vez mais
frequentes nos jovens.
Além de tudo isso, apesar de não serem dados de pesquisa, vale a pena considerar que
em outros contextos situacionais, as reticências, um dos pontos de análise citados acima,
são muito comuns, de modo particular nas redes sociais. Basta abrirmos algum link e
observarmos os comentários para percebermos como as outras pontuações são facilmente
substituídas pelas reticências, ou seja, nos ciberespaços elas acabam ocupando a função das
interrogações, exclamações e vírgulas como pode ser observado nas figuras abaixo:
Vale a pena observar,
também, a presença
das abreviações e das
palavras escritas em
caixa alta.
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Nessas imagens podemos observar como as reticências são recorrentes nos postes
dos internautas. Inclusive, é válido ressaltar que por se tratar do contexto virtual, essas
substituições acabam não causando prejuízo a ideia. Além disso, poderia, ainda, se
perguntar: os produtores de textos estariam, ao mesmo tempo em que querem parecer
expressivos, evitando uma dificuldade que já era existente na produção de textos de uma
forma geral?
Dando prosseguimento a nossa discussão, como foi mencionado na metodologia,
durante o período de observação fizemos, também, uma entrevista com a professora e com
os alunos a fim de obtermos mais considerações acerca do contexto observado.
Entrevista com a professora
Qual é a maior dificuldade que você encontra na produção escrita dos seus alunos?
R-Concordância e ortografia
A linguagem da internet aparece no texto dos alunos?
R-Sim. Com bastante frequência.
Como se dá a correção das produções que você faz em sala de aula?
R- Fazendo leitura crítica, analisando e orientando, quando necessário, para refacção.
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A partir dessas respostas, podemos ter uma ideia de que a professora reconhece as
dificuldades e as inadequações nos textos dos alunos. Porém, como vimos anteriormente,
ela não costuma discutir nem entregar o feedback das produções, o que pode ser
possivelmente justificado pelo fato dela ser responsável por mais de 10 turmas. Ou seja, o
excesso de trabalho e de responsabilidade pode ser um motivo para comprometer o
desenvolvimento das atividades da professora a contento. É possível, também pensar que,
muitas vezes o professor percebe as dificuldades do aluno, mas não possui o embasamento
teórico e metodológico para agir em consequência.
Entrevista com os alunos
Dos 20 alunos entrevistados, 11 afirmaram que costumam abreviar quando
escrevem. Não foram encontradas as abreviações que são umas das marcas mais evidentes
do internetês na produção para a qual foi exigida a linguagem padrão. Logo, isso pode
apontar para o fato deles saberem distinguir o contexto de uso.
Vale, ainda, ressaltar que durante as observações notou-se que há uma certa
influência da linguagem da Internet na oralidade dos jovens. Porém, não cabe estender
comentários acerca desse fato aqui, visto que essa questão já aponta para a necessidade de
outro projeto.
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No diz respeito às pontuações características do internetês, como a exclamação e as
reticências, metade dos alunos disseram que essas pontuações são frequentes em seus
textos, e a outra metade afirmou que não. Sabendo- se que esses resultados sugerem um
leque de interpretações, uma possível análise para esse dado seria o fato dos alunos que
responderam “não” terem interpretado a pergunta levando em consideração apenas o uso
dessas pontuações em textos que exijam a linguagem padrão, como o exigido pelos
vestibulares. Enquanto os que responderam “sim” podem ter levado em consideração todo e
qualquer tipo de produção, seja no ambiente escolar ou em outras situações.
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Por fim, de 20 entrevistados, 15 afirmaram que sua escrita na Internet difere de
outros contextos, enquanto 5 afirmaram
que não. Esse dado levanta uma discussão
pertinente no que diz respeito à linguagem padrão, pois é comum pensar que na Internet é
usado apenas o internetês.
Ao contrário do que muitos julgam, a Internet não se restringe apenas às redes
sociais e a contextos situacionais informais. Empresas, universidades e muitas outras
organizações se utilizam dela para estabelecer contato e isso significa que o ambiente
virtual também, dependendo da situação discursiva, exige o uso padrão da língua, até
porque, por exemplo, uma pessoa não vai enviar um e-mail solicitando uma reunião com o
Secretário de Educação usando o internetês. A esse respeito Xavier (2014) afirma que:
Não se escreve da mesma forma em todos os gêneros e suportes de escrita, pois é
um equívoco pensar que a língua é uniforme em todos os lugares em que é usada.
Ainda que a modalidade escrita da língua seja conservadora, é o gênero do texto
que vai determinar qual variedade linguística deve ser empregada naquele
momento e naquele suporte de escrita diante de tais e quais interlocutores.
A partir disso cabe-se compreender que a Internet, por possuir um leque de gêneros,
estimula a comunidade de internautas a criar cada vez mais formas diferentes de linguagem
que se adequem ao contexto situacional que esteja em foco. Olhando por outro viés, vale
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acrescentar que isso nos revela aspectos positivos no que diz respeito ao desenvolvimento
da criatividade, visto que, com o surgimento a todo instante de novos gêneros digitais, é
preciso inventar e reinventar formas de escrita.
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CONCLUSÃO
Os dados apontaram para a possibilidade de que os alunos conseguem distinguir os
contextos de uso, diferenciando quando devem ou não usar determinados recursos
linguísticos e/ou visuais, mesmo que algumas vezes marcas do internetês possam ser
encontradas em contextos inadequados, em outras situações pesquisadas. Porém, é
importante salientar que, apesar de haver essa aparente percepção, alguns professores ainda
precisam romper com a crença de que o internetês o influência negativamente nas
produções dos alunos.
O uso dos gêneros digitais da internet não prejudica a aprendizagem da escrita
pelos adolescentes. Antes, deve servir de contraponto para a escola alertar esses
usuários sobre a necessidade de se comportar diferentemente diante dos vários
gêneros e suportes textuais e assim adequar a escrita a cada um deles. Não se trata
de uma esquizofrenia dos adolescentes ao escreverem na rede de um jeito e na
escola deoutro. Entretanto, é preciso despertá-los para as diferenças de
comportamento linguístico diante dos diversos gêneros e contextos
comunicativos. Eis que a internet surge mais como ferramenta de auxílio à
aquisição das habilidades de leitura e escritado que como um novo empecilho
para o domínio dessas habilidades. (XAVIER, 2014)
É interessante verificar se em outras turmas fenômenos semelhantes ou distintos
acontecem, visto que esses dados são peculiares de uma determinada situação de
aprendizagem, logo, as questões que foram observadas e analisadas aqui podem ou não se
repetir, como também outras particularidades podem aparecer.
Vale ressaltar que a partir do contexto situacional observado também foi possível
perceber que o internetês está presente nas interações conversacionais dos jovens. Com
isso, será dada continuidade a esta investigação desta vez analisando não só a influência do
internetês na produção escrita, mas também na interação oral e, de maneira particular, será
dado um enfoque à questão dos memes como influenciadores dos discursos dos jovens.
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REFERÊNCIAS
A RETÓRICA (DIGITAL) DAS REDES SOCIAIS –Prof. Antônio Carlos
Xavier–UFPE. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=vWIpG0dvcSI>
Acesso em: janeiro de 2014.
HISTÓRIA
DA
INTERNET.
Disponível
http://www.suapesquisa.com/internet/> acesso em: julho de 2014.
em:
<
LINGUAGEM DA INTERNET INFLUENCIA SALA DE AULA- Agência
USP, publicado em 04 de julho de 2005, disponível em:
<http://idgnow.com.br/internet/2005/07/04/idgnoticia.2006-03-12.8953881510/>
Acesso: em dezembro de 2013.
MARCUSCHI, L.A. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital.
MARCUSCHI, L.A e XAVIER, A.C. (orgs.) Hipertexto e gêneros digitais: novas
formas de construção de sentido. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.
OLIVEIRA, S.C.D e GOMES, C. F. A abordagem de pesquisa etnográfica:
reflexões e contribuições. Disponível em:
<http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=702> acesso em:
julho de 2014
O QUE É UMA HASHTAG. Disponível em: < http://pt.wix.com/blog/2013/11/oque-sao-hashtags/> acesso em: dezembro de 2013.
RIBAS, Elisângela; RIBAS Ângela; PINHO, Denise de Sena ; LAHM, Regis
Alexandre. A influência da linguagem virtual na linguagem formal
de
adolescentes.
Disponível
em:
http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo9/artigos/8dElisangela.pdf> acesso em: dezembro
de 2013
SILVA, C.S. Os conceitos de língua materna e língua-padrão. Disponível em:
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SOUZA, Dalva Soares Gomes de. A influência da internet no domínio da escrita.
Revista
Babilônia.
p.
69-94.
Disponível
em:
<http://revistas.ulusofona.pt/index.php/babilonia/article/viewFile/1775/1425>
acesso em: dezembro de 2013.
STORTO, Letícia Jovelina; GALEMBECK, Paulo de Tarso. A escrita virtual
influencia a escrita escolar?. In: celli – COLÓQUIO DE ESTUDOS
LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS. 3, 2007, Maringá, 2009, p. 1588-1597.
TIBA, I. Ensinar aprendendo: novos paradigmas na educação. 18. ed. rev. e
atual. São Paulo: Integrare, 2006.
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XAVIER, A.C. Reflexões em torno da escrita nos novos gêneros digitais da
internet.
Disponível
em:
<http://www.ufpe.br/nehte/artigos/Reflex%F5es%20em%20torno%20da%20escrita
%20nos%20novos%20g%EAneros%20digitais.pdf> acesso em: julho de 2014.
ZOZZOLI, Rita Maria Diniz. Gênero, genericidade e ensino. (no prelo)
MODELO RELATÓRIO FINALPIBIC CNPq/UFAL/FAPEAL
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PLANO DE TRABALHO (IGUAL AO PROJETO ORIGINAL)
INDIVIDUAL E DIFERENCIADO DO BOLSISTA E /OU COLABORADOR
TÍTULO DO PLANO D E TRABALHO: A INFLUÊNCIA DA LINGUAGEM DA
INTERNET NA PRODUÇÃO ESCRITA DO ALUNO NO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM
ORIENTADOR: RITA MARIA DINIZ ZOZZOLI
ESTUDANTE: ISLANE RAFAELLE RODRIGUES FRANÇA
I - DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS DO TRABALHO DO ESTUDANTE;
Esta pesquisa individual fará parte de uma pesquisa maior, intitulada “Articulação
entre gêneros, suportes e veículos no discurso da mídia e do ensino e aprendizagem,
coordenada pela orientadora.
Pretende-se, em contexto de sala de aula de alunos da 3ª série (ensino médio),
verificar possíveis peculiaridades e eventualmente dificuldades na produção escrita
oriundas da influência da linguagem da Internet.
Com essa análise pretende-se responder às seguintes perguntas de pesquisa:
1- Os alunos costumam aplicar a linguagem da Internet em suas produções
escritas?
2- O professor costuma discutir o uso da linguagem da Internet na produção escrita
dos alunos. De que maneira ocorre essa discussão?
2.1 - Como os alunos participam dessa discussão (caso ocorra)?
2.2 - Os alunos aplicam os novos conhecimentos, oriundos da discussão, a uma
nova produção escrita? De que forma?
2.3 – A discussão contribui para a qualidade de novas produções escritas?
3- Caso não ocorra discussão, como se apresentam as produções no desenrolar do
processo de ensino e aprendizagem?
O estudo desse fenômeno poderá contribuir, num primeiro momento, para
compreender especificidades da influência supracitada e, num segundo momento, para
suscitar formas de tratamento dessas ocorrências em sala de aula de língua portuguesa.
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II - DETALHAMENTO DA METODOLOGIA CORRESPONDENTE;
Conforme o projeto global, a pesquisa, situada no âmbito da Linguística Aplicada,
segue um modelo qualitativo de cunho etnográfico. Os dados serão coletados através da
observação das aulas de língua portuguesa, de entrevistas com o/a docente e com os alunos
voluntários e também a partir das próprias produções escritas dos alunos.
III - CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DIMENSIONADO PARA 1 (UM) ANO.
Meses
ATIVIDADES
2013
2014
AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL
Observação na sala de
aula
Levantamento
de
dados
Relatório final
Elaboração e entrega
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MODELO RELATÓRIO FINALPIBIC CNPq/UFAL/FAPEAL
x
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