Relatório PIBIC Islane França 2015
Relatório final pibic 2015 Islane.pdf
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CNPq
UFAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
COORDENAÇÃO DE PESQUISA
PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA –
PIBIC CNPq/UFAL/FAPEAL
RELATÓRIO FINAL
(2014– 2015)
TÍTULO DO PROJETO DE PESQUISA:
Articulação entre gêneros, suportes e modalidades no discurso da mídia e do ensino e
aprendizagem
TÍTULO DO PLANO DE TRABALHO INDIVIDUAL E DIFERENCIADO:
A influência da linguagem da internet na interação oral do aluno no processo de ensinoaprendizagem: os memes como influenciadores dos discursos dos adolescentes
NOME DO ORIENTADOR: Rita Maria Diniz Zozzoli
NOME DO BOLSISTA/COLABORADOR: Faculdade de Letras
BOLSISTA CNPQ
X
BOLSISTA UFAL
BOLSISTA FAPEAL
COLABORADOR
*NOME DA GRANDE ÁREA DO CONHECIMENTO (CNPq):Linguística
*NOME DA SUB-ÁREA DO CONHECIMENTO (CNPq) :Linguística Aplicada
Projeto Financiado:
SIM
Maceió- AL, 06
NÃO
/ 08 /
X
2015.
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RESUMO
Esta pesquisa individual fez parte de uma pesquisa maior organizada pela Professora
Doutora Rita Maria Diniz Zozzoli, intitulada “Articulação entre gêneros, suportes e
modalidades no discurso da mídia e do ensino e aprendizagem”. Com a popularização das
mídias, a acessibilidade às novas informações tem ficado cada vez mais viável. Diante
disso, é muito comum percebermos como algumas expressões, que em algum tempo
estiveram em evidência nas mídias, acabam sendo lançadas nas redes sociais e
consequentemente passam a integrar o discurso de algumas pessoas. Essas expressões, seja no modo de falar; nos gestos; ou no modo de vestir- que são copiadas de pessoa para
pessoa e repercutem no meio social são chamadas de memes. Nesse sentido, podemos dizer
de modo especial, que os jovens (13- 20 anos) são os mais adeptos a essas novidades, visto
que dentre outras razões, se supõe que eles passam mais tempo conectados às redes, local
onde os memes repercutem de maneira mais intensa. Compreendendo esse contexto, esta
pesquisa pretendeu identificar em uma turma de 2º série, se os jovens que estão entre 16-18
anos levam os memes para as interações orais no contexto de sala de aula. Como base
teórica, foram utilizados autores como Bakhtin (1986) no que diz respeito à interação
verbal e aos gêneros do discurso; Marcuschi (2001) para considerações relacionadas à
oralidade; Orlandi (2006), no que se refere à questão de memória discursiva, e Zozzoli (no
prelo) como base para reflexões acerca do discurso midiático. No que toca a metodologia,
seguindo a perspectiva da pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, neste trabalho, foram
utilizados como instrumentos: notas de campo, gravações das conversas paralelas - em
relação ao discurso principal de sala de aula- e entrevistas com alunos voluntários. Desse
modo, a partir das análises das interações discursivas percebeu-se que os memes saltam das
redes para as interações orais dos alunos no contexto de sala de aula, e, que, inclusive, eles
puderam ser identificados, também, na fala da professora.
Palavras-chave: Língua Portuguesa; Interação oral; Memes.
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INTRODUÇÃO
Estamos inseridos em uma sociedade que vem sendo marcada pelo desenvolvimento
tecnológico, desenvolvimento esse que abre cada vez mais espaço para que a mídia 1 se
popularize entre as pessoas tornando mais simples a acessibilidade às novas informações.
Diante disso, não é preciso ir muito longe para percebemos como as músicas;
propagandas; personagens -com características peculiares - de filmes e novelas e até trechos
de livros best sellers em pouco tempo caem na boca do povo quando são lançados nas redes
sociais.
“Beijinho no ombro pro recalque passar longe”; “Sabe de nada inocente”; “Veio todo
mundo, menos a Luiza que está no Canadá” e “Choquei, fiquei rosa chiclete” são exemplos
de algumas expressões retiradas de músicas, propagandas e personagens respectivamente,
que em determinados momentos estiveram em evidência nas mídias e por consequência
acabaram integrando o discurso de grande parte das pessoas.
Sobre essas expressões, no campo da teoria da memética, Blackmore (2008) explica
que as informações que copiamos de pessoa para pessoa por imitação, pela linguagem,
falando, contando histórias, vestindo roupas ou fazendo coisas, foram denominadas meme
por DAWKINS (1976). Meme, na verdade, seria a abreviação da palavra grega ‘mineme‟
que significa „o que é imitado‟.
Exemplos de memes são melodias, ideias, "slogans", modas do vestuário,
maneiras de fazer potes ou de construir arcos. Da mesma forma como os genes se
propagam no "fundo" pulando de corpo para corpo através dos espermatozoides
ou dos óvulos, da mesma maneira os memes propagam-se no "fundo" de memes
pulando de cérebro para cérebro por meio de um processo que pode ser chamado,
no sentido amplo, de imitação.
( DARWKINS 1976, P. 148)
Já do ponto de vista linguístico-discursivo, podemos observar esse fenômeno como um
processo de “trazer a fala do outro a nossa fala” sobre essa questão Bubnova (2011) afirma
que segundo Bakhtin:
O mundo que nos rodeia está povoado de vozes de outras pessoas, vozes são
palavras no sentido de ―enunciados: ―Vivo em um mundo povoado de palavras
alheias. E toda a minha vida, então, não é senão a orientação no mundo das
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Mídias seriam: Televisão; livros; rádio e internet. Está última, no entanto, pode ser considerada a maior
propagadora de memes.
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palavras alheias, desde assimilá-las, no processo de aquisição da fala, e até
apropriar-me de todos os tesouros da cultura.
Vale ressaltar, que, de modo particular, podemos supor que esses memes se fazem
mais presentes nos discursos dos jovens, visto que essa faixa etária além de gostar de
novidades, parece estar conectada por mais tempo às redes sociais e aos ciberespaços, que
são os meios midiáticos onde as informações se disseminam de forma mais rápida e
dinâmica.
Podemos entender ciberespaço como um mundo virtual, onde são
“disponibilizados” variados meios de comunicação e interação em sociedade. Um
universo virtual onde se encontram quantidades massivas de dados, informações
e conhecimentos em que textos são “mixados” a imagens e sons, em um
hipertexto fluido e cheio de possibilidades, ou seja, um ambiente não físico, mas
real, um espaço aberto, cheio de devires, onde tudo acontece instantaneamente,
em tempo real e de durabilidade incerta. Esse mundo virtual caracteriza-se não
somente pela representação, mas pela simulação: uma das possibilidades de
exercício do real. Mas o ciberespaço não está desconectado da realidade. O
virtual não é oposto do real, é uma forma de realização (existência) em potência,
sendo o atual o seu pólo, uma existência em ato. (MONTEIRO, 2010)
Assim, partindo dessa ideia, essa pesquisa pretendeu identificar se os jovens levam
os memes para as interações orais no contexto de sala de aula, visto que seria esse o espaço
no qual eles passariam grande parte do tempo.
Desse modo, é válido ressaltar que essa investigação pode ser útil para o ensino,
porque, compreendendo melhor o fenômeno, os professores/as têm a possibilidade até de
aproveitá-lo melhor em suas aulas. Além disso, essa pesquisa, também, é de grande
importância para o campo da linguística aplicada, visto que a questão dos memes, apesar de
ser bem atual, ainda não conta muitos estudos relacionados.
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OBJETIVOS
GERAL:
Analisar a presença dos memes nas interações orais dos alunos na sala de aula de Língua
Portuguesa.
ESPECÍFICOS:
1-Identificar e analisar como os memes aparecem nos discursos dos jovens na sala de aula
de Língua Portuguesa em turma de 2º ano do ensino médio;
2 - Identificar e analisar como os memes aparecem nos discursos desses mesmos jovens em
situações extraclasse;
3 - Verificar em quais situações de interação os memes são escolhidos.
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METODOLOGIA
A pesquisa, situada no âmbito da Linguística Aplicada, segue um modelo qualitativo de
cunho etnográfico. Esse estudo propõe a triangulação na coleta de dados, que seria o
levantamento de informações a partir de mais de um instrumento de pesquisa, o que
permite ao pesquisador olhar o mesmo objeto de análise a partir de vários vieses, dando
assim, a qualidade a pesquisa.
A pesquisa qualitativa adota multimétodos de investigação para o estudo de um
fenômeno situado no local em que ocorre, e enfim, procura tanto encontrar o
sentido desse fenômeno quanto interpretar os significados que as pessoas dão a
eles. O termo qualitativo implica uma partilha densa com pessoas, fatos e locais
que constituem objetos de pesquisa, para extrair desse convívio os significados
visíveis e latentes que somente são perceptíveis a uma atenção sensível e, após
esse tirocínio, o autor interpreta e traduz em um texto os significados patentes ou
ocultos do seu objeto de pesquisa. (CHIZZOTTI, 2003. P. 221)
No que diz respeito ao cunho etnográfico, é importante salientar que este se
caracteriza pela tradução da observação e descrição dos fatos analisados.
Nessa
perspectiva, a investigação ocorreu em um período de 4 meses, durante os quais foram
coletados dados através de observações das aulas de língua portuguesa.
Mais especificamente, a pesquisa se deu em uma em turma de 2º ano do ensino
médio que tem alunos na faixa etária de 16-18 anos. Como instrumentos, foram utilizadas
notas de campo, para analisar o contexto de um ponto de vista mais geral; gravações das
conversas paralelas, a fim de perceber se/de que forma os elementos aparecem em
conversas espontâneas; e entrevistas, as quais tiveram como apoio a Linguística
Variacionista de Labov. Vale ressaltar, que esta referência foi utilizada, apenas, para
realizar entrevistas com narrativas com os alunos voluntários a fim de captar os elementos
de análise da forma mais natural possível. Mais especificamente, foram feitas perguntas que
tiveram como temas os interesses dos alunos, os quais foram possíveis de perceber a partir
das observações durante as aulas.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
A interação verbal permite que o indivíduo crie uma série de recursos linguísticos,
tais como os gêneros, para adequá-la aos mais variados contextos situacionais discursivos.
Todas as esferas da atividade humana, por mais variada que sejam, estão sempre
relacionadas com a utilização da língua. Não é de se surpreender que o caráter e
os modos de utilização sejam tão variados como as próprias esferas da atividade
humana, o que não contradiz a unidade nacional de uma língua. (BAKHTIN
1997, P. 279)
Os gêneros do discurso são incontáveis, e o tempo todo nos utilizamos de algum
deles para efetuarmos uma prática sóciodiscursiva. Os memes, por exemplo, apesar, de na
maioria das vezes, se materializarem nas redes sociais, acabam saltando para além dos
computadores, tablets e celulares passando a ocupar espaço nas situações conversacionais.
Como afirma Zozzoli (no prelo), o discurso midiático e os múltiplos vetores2estão sempre
em crescimento contínuo, e isso, de certa forma, repercute nas relações sociais.
Zozzoli (no prelo) analisa o que denomina palavras de ordem que ultrapassam os
entornos espaço-temporais e comunicacionais (mais amplos) de origem para reproduziremse em diferentes contextos e gêneros e através de múltiplos vetores. Essas palavras de
ordem fariam parte de um grande diálogo social (BAKHTIN, 1978, apud ZOZZOLI, no
prelo) no qual se dá uma disseminação/dispersão do acontecimento-tema, tanto em
enunciados como em imagens, gestos, ações etc.
Partindo dessas considerações, durante o período de observação, foram feitas
entrevistas individuais com alguns alunos colaboradores, além de gravações de conversas
paralelas - em relação ao discurso principal de sala de aula - e com isso foi possível
identificar os elementos em questão. Inclusive, é necessário abrir um parêntese para
esclarecermos que essas marcas também são possíveis de aparecer na fala da professora,
como poderemos comprovar com o contexto situacional descrito abaixo:
2
De acordo com ZOZZOLI (no prelo) os vetores podem ser objetos, indo desde os mais coletivos aos mais
pessoais, individuais, de acordo com o contexto de utilização: um cartaz, um bilhete colado, um adesivo, um
folder, uma faixa, mas às vezes, também, uma camiseta ou objetos pessoais em geral ou até o próprio corpo
do sujeito, como é o caso da tatuagem.
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Situação 1:
Os alunos estavam fazendo prova. Depois de um dado momento a professora percebe
um dos alunos tentando pescar e fala:
-Pesca para você ver se eu não sambo na sua cara essa prova.
A expressão “sambo na sua cara”, está relacionada ao meme “Sambar na cara da
sociedade”, que foi uma expressão utilizada por uma personagem em uma novela
transmitida em 2012, em canal aberto, no horário nobre. Essa expressão se popularizou
entre os mais diversos grupos de falantes e, possivelmente, de modo mais intenso entre os
jovens, visto que o “samba” saltou da televisão para as redes sociais e dessas para os mais
diversos contextos sócio-interacionais.
É válido ressaltar que a disseminação desse meme ficou por conta dos internautas
que não economizaram na criatividade. Inclusive, é importante considerar, também, que,
após visitar blogs e sites para se estabelecer categorias de análise, constatou-se que houve
até quem criasse play listes em blogs com músicas para “sambar na cara da sociedade”,
além de fanpages, eventos em redes sociais e imagens que faziam alusão à expressão.
Enfim, quando paramos para analisar, percebemos o leque de reflexos que os
memes traduzem na sociedade, de modo particular entre os jovens que, em sua maioria,
para se sentirem pertencentes a determinados grupos, inclusive no contexto escolar, que é o
local em que eles passam grande parte do tempo e naturalmente geram vínculos, acabam se
utilizando de alguns recursos discursivos e até “vestimentais” e comportamentais para se
sentirem incluídos, como podemos observar na entrevista abaixo:
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Entrevista com os alunos 2; 3 e 4.
Entrevistadora: Contem como foi a aula de ontem. O que marcou a aula?
Aluna 2: Foi que ontem na aula de português era para você se juntar com a pessoa que
você mais se identificasse, aí o Caio se juntou com a minha amiga e ela colocou na
descrição dele que ele “sambava na cara da sociedade”.
Aluno 3: Porque ele discute com o povo e diz que “vai sambar”, que vai botar ele pra
baixo. Ele gosta muito de fazer barraco, viu?
Aluno 4: Mas eu discordo do que eles estão falando (risos)... É que se são meus inimigos
eu tenho que destruir a reca mesmo. E eu acho que é tudo recalcado. (Risos)
Nesse sentido, fazendo um contraponto entre os dois contextos supracitados; dentro
de um viés linguístico discursivo, que é o foco maior desta pesquisa, e seguindo a
perspectiva teórica proposta por Bakhtin (1986), o qual defende a ideia de que toda palavra
comporta duas faces sendo determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como
pelo fato de que se dirige para alguém, constituindo, justamente, o produto da interação do
locutor e do ouvinte, podemos dizer, no entanto, que uma das possibilidade de interpretação
nos leva a pensar que no primeiro momento a professora se utilizou do meme como uma
forma de aproximar a linguagem dela da linguagem do aluno, afinal, a palavra enquanto
produto da interação, como afirma Bakthin (1986), seria uma espécie de ponte lançada
entre o falante e o ouvinte.
Acrescenta-se que nesse contexto descrito, mesmo que a professora não tenha agido
propositadamente, percebe-se que essa relação foi estabelecida, visto que essa expressão,
como foi possível observarmos na entrevista, já era comum entre os alunos e, por isso fez
sentido.
Nessa perspectiva, ainda podemos nos apoiar em Pêcheux (1969, apud ORLANDI,
2006), o qual afirma, justamente, que o discurso é mais do que transmissão de informação
(mensagem), é efeito de sentidos e isso ocorre porque os sujeitos, dentro de certas
circunstâncias são afetados por suas memórias discursivas.
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A título de informação, Orlandi (2006) explica que a memória discursiva é trabalhada pela
noção de interdiscurso: “algo fala antes, em outro lugar e independentemente”. Trata-se do
que chamamos saber discursivo. É o já dito que constitui todo dizer.
No dizer de Bakhtin (1986), “o enunciado está repleto de ecos e lembranças de
outros enunciados, aos quais está vinculado no interior de uma esfera comum da
comunicação verbal” (p. 316).
Com isso, um dos vieses de análise nos leva a concluir que o meme remete a
memória discursiva e que a professora, (in)conscientemente, se utilizou dele para ter
sucesso na interação o que, consequentemente, levou, também, ao sucesso da compreensão.
Entrevista com a aluna 4.
Entrevistadora: Qual o cantor que você mais gosta? Como você começou a gostar dele?
Aluna 4: Bom, quando eu comecei a gostar dele, eu fui pro interior com a minha vó
e é difícil, né? Chegar... Tipo assim, várias músicas novas aí lá na praça, aí minhas amigas:
- Óia, você conhece o Thales Roberto?
Aí eu:
Thales Roberto? Nunca ouvi falar não...
Aí ela pegou, colocou pra mim ouvir, e eu comecei a ouvir de repente um estilo que tipo,
diferente... Vários ritmos juntos e eu comecei a escutar, e comecei tipo algo sempre falava
da nossa vida e ele começava a incentivar como enfrentar nossos cotidianos e, assim, eu
gostava muito aí me identificava muito isso.
Aí tipo assim, tinha uma música que é: “Pai eu não confio mais em mim”, que fala tipo
assim... a gente erra e as vezes acha que aprendeu e faz tudo de novo, entendeu? Então ele
ensina como lidar com as situações da vida através da música.
Nesse caso, estamos diante de uma conjuntura, que nos leva a tecer um olhar que
vai muito além da ideia do meme enquanto, apenas, uma “cópia daquilo que já foi dito por
outrem.”
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Do ponto de vista linguístico-discursivo, “tipo assim”, na fala da aluna entrevistada,
seria uma expressão que ela inseriu ao seu discurso com o objetivo de caracterizar sua
própria fala, o que é natural entre os jovens nessa faixa etária, visto que eles estão na busca
da própria identidade e, claro, de ser identificados.
Nesse sentido, podemos dizer que, movidos, também, pela vontade de se sentirem
aceitos em determinados grupos, além das roupas, dos gestos e comportamentos, eles
retomam expressões orais que perduram um certo tempo, mais ou menos limitado, a
depender do sucesso e do prestígio que eles alcançarem. No entanto, é válido reiterar, que
isso é apenas uma possível interpretação, talvez, essa não seja a realidade da aluna.
Guardadas as especificidades do meme, e do que se caracterizou neste último
exemplo como palavra de ligação, é possível situar os dois fenômenos como pertencentes a
um fenômeno maior de retomada do já dito, da palavra do outro, para assemelhar-se a ele
e/ou para aproximar-se discursivamente dele.
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CONCLUSÃO
Com o passar dos tempos, as mídias e o mundo virtual, de modo mais específico,
vem conquistando uma dimensão significativa. Os memes, que ganham vida justamente
nesses espaços, estão sendo lançados com mais intensidade e os jovens têm aderido cada
vez mais a essas expressões, afinal o resultado não poderia ser outro, a não ser “aceitação”
quando o assunto é “a modinha da hora”.
Nesse sentindo, a partir dos contextos interacionais discursivos analisados é possível
percebemos que os memes saltam das redes sociais para o discurso dos jovens, e, que pelo
que foi observado, as expressões são integradas as falas de uma forma muito natural.
É válido reiterar, que nas situações extraclasse elas aparecem com muito mais
evidência, visto que nas situações conversacionais informais -conversas paralelas- os
jovens querem se sentir pertencentes aos grupos e, no campo da linguagem, o meme acaba
servindo como uma ponte de aproximação. Afinal, imitar o que está em evidência é
prestigio, é a garantia da aceitação. “Os jovens querem destacar-se no meio social, porém,
ao mesmo tempo assemelhar-se com outros jovens que partilham os mesmos gostos.”
(OLIVEIRA, 2010). Vemos que situação semelhante ocorre com o elemento de ligação
“tipo assim”, cuja repetição pode ser considerada na mesma perspectiva.
No que se refere à professora, a qual não pode ser desconsiderada do contexto em
evidência, notamos que, a provável convivência com os alunos fez com que ela também
acabasse se utilizando das expressões, afinal, o meme utilizado por ela, foi o mesmo que já
vinha sido citado pelos alunos.
Ao estudarmos uma nova geração que está inicialmente inserida na sociedade
tecnológica, notamos que novidades são trazidas e mudanças são propostas para
as gerações anteriores, como, por exemplo, a inserção também destes no mundo
virtual e tecnológico. (OLIVEIRA, 2010)
Por fim, é importante considerar que esses dados fazem referência a apenas uma
turma, talvez em outra situação de observação obtivéssemos resultados diferentes. Essas
questões não envolvem, apenas, faixa etária e perfil da turma, mas, também, os fatores
externos, como: local onde a escola se situa e a acessibilidade de todos os alunos às redes
sociais. Afinal, outra possibilidade de interpretação nos levaria a pensar que, se a turma
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fosse composta por alunos, os quais não tivessem contato com a mídia e com os
ciberespaços, os memes, talvez, não tivessem sido tão presentes.
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REFERÊNCIAS
BLACKMORE, Susan. Susan Blackmore sobre memes e “temes”.Disponível
em:<http://www.ted.com/talks/susan_blackmore_on_memes_and_temes/transcript
?language=pt-br.> Acesso em: Novembro de 2014.
BUBNOVA, Tatiana. Voz, sentido e diálogo em bakhtin/ Voice, sense and dialogue on
Bakhtin.Bakhtiniana. São Paulo 6 (1): 268-280, Ago./Dez.2011.
CHIZZOTTI, Antonio. A pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais: evolução e
desafios. Revista portuguesa de educação, Ano/Vol. 16, número 002. Universidade do
Minho. Braga, 2003. P 221-236.
BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. Problemáticas e definição. In: BAKHTIN,
Mikhail. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes,1992ª,p. 277-87.
(Tradução do Francês: Maria Ermatina Galvão Gomes Pereira)
BAKHTIN, Mikhail (Volochinov). Marxismo e Filosofia da Linguagem. In: BAKHTIN,
Mikhail. A Interação Verbal. São Paulo. Editora Hucitec. 1986, p. 110-127.
(Tradução do Francês: Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira)
DAWKINS, Richard. Memes: os novos replicadores. In: DAWKINS, Richard . O gene
egoísta. Companhia das Letras, 1976.
MARCUSCHI, Luiz Antonio. Aspectos da oralidade descuidados, mas relevantes para o
ensino de português como segunda língua. IN: Contribuições para a didáctica de
Português Língua Estrangeira./ Eberhard Gartner; Maria José Peres Herhuth e Nair
Nagamine Sommer (orgs).
MONTEIRO, Silvana Drumond. O que é o ciberespaço? Disponível em:<
http://departamentocienciadainformacao.blogspot.com.br/2010/05/o-que-e-ociberespaco.html.> Acesso em: Julho de 2015.
OLIVEIRA, Gustavo Medeiros. Geração z: uma nova forma de sociedade. Disponível em:
<http://br.monografias.com/trabalhos3/geracao-z-nova-forma-sociedade/geracao-z-novaforma-sociedade4.shtml> Acesso em: Julho de 2015
ORLANDI, Eni P. Introdução às ciências da linguagem - Discurso e textualidade / Suzy
Lagazzi – Rodrigues e Eni P. Orlandi (orgs.) Campinas: Pontes, 2006.
ZOZZOLI, Rita Maria Diniz.Diálogo social: cruzamentos discursivos a partir de um
enunciado-acontecimento-tema. Capítulo de livro no prelo.
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PLANO DE TRABALHO
TÍTULO DO PLANO D E TRABALHO: A influência da linguagem da internet
na interação oral do aluno no processo de ensino-aprendizagem: os memes como
influenciadores dos discursos dos adolescentes
I - DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS DO TRABALHO DO ESTUDANTE;
Este plano de trabalho faz parte de um projeto maior intitulado “Articulação entre
gêneros, suportes e veículos no discurso da mídia e do ensino e aprendizagem”, coordenado
pela orientadora Rita Maria Diniz Zozzoli.
Mais especificamente, este plano de trabalho será o desdobramento de um projeto
anterior denominado “A influência da linguagem da internet na produção escrita do aluno
no processo de ensino-aprendizagem”. Vale salientar, que nesta nova fase, daremos um
enfoque maior à questão da influência dos memes nos diálogos face a face, visto que, por
conta da fácil acessibilidade ao mundo virtual, a interação com esse contexto se tornou
comum entre um número significativo de jovens. Além disso, na investigação anterior
(2013/2014) foram identificadas ocorrências da influência desses memes nos diálogos dos
alunos, por isso é válido analisar como essas informações se multiplicam e intervêm nas
interações orais dos adolescentes em sala de aula e como esse fenômeno está presente nas
produções escritas.
Com essa análise pretende-se responder às seguintes perguntas de pesquisa:
1- Como os memes identificados na coleta se encontram nas redes sociais?
2- - Os jovens trazem esses memes em suas interações orais em sala de aula? Se sim, de
que forma e em quais momentos essas marcas aparecem?
II - DETALHAMENTO DA METODOLOGIA CORRESPONDENTE;
Conforme o projeto global, a pesquisa, situada no âmbito da Linguística Aplicada,
segue um modelo qualitativo de cunho etnográfico. Os dados serão coletados através de
observação das aulas de língua portuguesa, mais especificamente em turmas que tenham
alunos na faixa etária de 15-18 anos, com gravações das conversas paralelas, entrevistas
com o/a docente e com os alunos voluntários e, também, produções escritas dos alunos,
para verificar a inter-relação entre escrita e oralidade.
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III - CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DIMENSIONADO PARA 1 (UM) ANO.
Meses
ATIVIDADES
2014
2015
AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL
Observação na sala de
aula
Levantamento
de
dados
Relatório final
Elaboração e entrega
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